terça-feira, 30 de outubro de 2012

Língua de Espada


  Há pessoas das quais não gostamos de estar perto. Pessoas que são tão fúteis que seus problemas, para elas, são maiores que os de outras pessoas, com amigos que amam e que não gostam quando não veem o apoio que precisam ter nelas. Há pessoas que são tão prepotentes que conseguem achar que são a luz do mundo, mas em um piscar de olhos tornam-se uma escuridão absurda e amedrontadora. Pessoas com lâminas bem afiadas no lugar de língua, que machucam, fazem doer.
  Há pessoas que param de pensar que se continuarem, serão levadas a um confronto sem sentido, e levarão feridas. Pessoas que cortam a própria boca com a língua. Filhos de Ares, que preferem a discórdia do outro ao próprio arrependimento. Pessoas que doem só de estarem por perto, porque já disseram o que não deviam dizer. Pessoas imperdoáveis, monstros imperdoáveis, metamorfos que transformam-se no ser mais brutal e violento, quando querem. E elas querem.
  Eu acabei de ser uma dessas pessoas. Desembainhei minha espada pro objetivo errado, mas cortei. Fiz uma ferida enorme em mim e em quem amo. E não fiz nada pra parar de sangrar.
  Como se amam monstros? Monstros como esses podem chegar à própria redenção?
  Me encontro em uma sala vazia, deixado por alguém que acabei de machucar, que quis ir embora porque não queria ficar mais do meu lado, não queria abraçar ou beijar o portador da lâmina fria que causou tanta dor. Eu tô aqui, sozinho, com sangue nas mãos, pensando no que fiz e me perguntando se eu mereço perdão de alguém.Como podemos ferir alguém que talvez não possa perdoar a enorme ferida que causamos? Como podemos ferir alguém que amamos tanto, e queremos tanto do nosso lado? E se fizermos alguém partir de nossa vida por isso?
  E como eu posso ser egoísta a ponto de me desesperar por não poder ter mais a pessoa por perto, quando eu deveria me preocupar com a carne que eu abri?
  Creio ter rasgado um tecido difícil de se recuperar. Eu não mereço redenção, eu sinto que esse monstro que eu fui não sofre nada perto do que devia, e tá reclamando mais dor, pelo amor da bondade.
  E eu não devia escrever. Isso me alivia. Eu devia guardar todo o arrependimento dentro de mim, sem deixar transbordar uma só gota. Seria algo que eu faria com quem me rasgasse dessa forma: prenderia em um cômodo escuro, sem papel ou caneta, pensando no que fez. Essa sala é muito clara e confortável pro tipo de demônio que eu acabei de ser.
  Mas talvez eu ame. Meu erro é amar a mim mesmo a ponto de me destruir dessa maneira. Meu amor próprio tá errado.
  Mas talvez eu ame...

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

A Fita de Cabelo

 
 É madrugada de uma segunda-feira. A semana mal começou e meu inferno começou com ela.
 Eu queria ter aberto aquela porta e saído da sua vida. Saído das suas lembranças e suas expectativas frustradas. A grande verdade é que eu preciso deixar você sair de mim antes.
  Saudades as minhas do tempo em que eu tinha necessidade de colocar uma máscara de alegria e ia para a aula continuar a minha vida e rir com meus amigos. Esquecer de tudo o que me fazia mal. Mas cada fingimento, cada fraude, cada parte da minha armadura que me protegia foi caindo, uma a uma. Foi antes de você conhecer esse bobo sentimental que eu costumo ser hoje em dia.
  Deuses, como eu queria ter aberto aquela porta e você tivesse sumido. Eu teria ido embora, chorado e acordaria no outro dia talvez rindo da minha cara de choro. Mas não foi assim. Foi pior.
  Ontem eu fui arrumar minha mochila para a aula e encontrei a fita de cabelo preta que você deixou em casa. Eu juro que esqueci de devolver, é uma lembrança forte demais para estar comigo depois do que aconteceu.
   Depois da aula eu tirei a fita da mochila e ela tinha o seu cheiro. Eu ri me lembrando do cheiro do seu cabelo que ficava no meu rosto sempre que a gente dormia abraçado, e de como eu dormia e acordava com um beijo no seu pescoço. De como você era a primeira coisa que eu via no meu dia, e de como eu te beijava sempre que acordava. Foram tão poucas vezes em tão pouco tempo, mas me marcou de tal maneira...
   Hoje eu deitei minha cabeça no travesseiro e me perguntei se eu devia te avisar que sua fita estava comigo. Eu pensei em continuar com ela até que o cheiro acabasse, ou até que eu enjoasse dele e não quisesse ficar com ela. É tão improvável que eu a esqueça, que eu a deixe de lado, que eu não a pegue na mão por ao menos um momento do meu dia para passar os dedos e sentir seu cheiro, lembrar de como seus beijos me acalmavam e me levavam a um êxtase irreal, que por alguns segundos eu não lembrava de mais nada, e pelo resto do meu dia os meus problemas pareciam ter desaparecido. Você foi meu alívio, um alívio que eu não consegui em outras pessoas. Você foi a alegria do fim de um período difícil que eu tinha durante uma parte do meu dia. Você foi um filho de Dionísio.
   E eu devia saber e não devia desejar que eu pudesse prender Dionísio a mim, que talvez não seja culpa sua que hoje as suas declarações de amor a mim não possam mais ser válidas. Você foi uma onda de atordoamento que passou porque talvez estivesse mais que na hora de passar. E apesar de tudo o que você me disse, eu sei que não volta. E isso me dá raiva, me deixa frustrado, como um viciado em abstinência, como alguém que tivesse que voltar ao controle da própria vida, sozinho, de novo. Como alguém que caiu porque seu chão sumiu de repente.
   E minhas lembranças felizes são tão intensas, mas tão poucas, que no fim das contas só tenho raiva de você porque agora vou ter que parar de usar minhas lembranças boas contigo para me fazer bem, porque elas e fazem mal. Elas me dão saudade.
  "Preciso devolver sua fita de cabelo, tava na mochila, eu esqueci no dia. Ela ainda tá com seu cheiro."
  E tenho dito,
    Lipe.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Feliz Encontro, Feliz Partida e Feliz Reencontro

  Nossas vidas costumam ser cheias de frustrações, vontades e esperanças. Aprendemos a lidar com cada uma delas conforme vão aparecendo nas nossas vidas, e crescemos demais com cada uma delas. As esperanças viram vontades, que podem ou não virar frustrações, mas independente de tudo, temos ao nosso redor todas as circunstâncias que nos fazem agir conforme cada uma.
 Acordamos todos os dias com nossas rotinas, nossos compromissos e nossos pais nos cobrando responsabilidade. Trabalho, escola, amigos, namorados, coisas que dependem de nossa dedicação. Mas e quando nos falta vontade? Paramos pra pensar nisso antes de nos faltar a vontade, propriamente dita? Óbvio, temos nossos momentos de crise quando bebemos demais ou ficamos entorpecidos com alguma situação, mesmo que não demonstremos, mesmo que nos policiemos a não querer pensar no que seria de tudo se faltássemos. Mas nossos sorrisos só se alimentam nesses momentos ao pensarmos nas pessoas que deixaríamos pra trás. Todas, uma por uma, nos fazem pensar por que estamos vivendo ainda. Se estar aqui é uma bênção, uma maldição ou se é doloroso porque ainda não aprendemos a viver. É daí que tiramos força? 
  O tempo passou e eu continuo cada vez mais convencido de que o que nos move é o egoísmo. Damos nosso melhor para as pessoas mais importantes para nossas vidas, porque afinal, não queremos perdê-las, isso nos faria mal. E viver com um espaço no peito que só uma pessoa pode preencher é difícil. Eu sei disso, eu apanho demais por isso. Mas é a solução certa evitar a dor, em vez de amadurecermos lidando com ela? Uma frustração é a falta daquela vontade que ainda não foi sanada. E esse "ainda" nos dá a esperança pra continuarmos querendo. Posso dizer que nunca senti um alívio maior na vida do que aquele que me destruiu todas as esperanças. Mas também posso dizer que não há dor maior no mundo do que a culpa de perder uma pessoa na sua vida porque a culpa foi sua de alguma maneira.
   Você já parou pra pensar se seria mais certo correr atrás de algo que destrua sua esperança, antes que ela mesma te destrua? Frustrações deixam marcas, e algumas mudam completamente nosso modo de ver e agir nessa terra. E deixar alguém ir embora pode ser um inferno temporário ou durar a vida toda.
  E tenho dito,
     Lipe.
P.S.: Oi gente, voltei.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Máscaras

People use to smile.

Percebi que não preciso de fotolog. Tenho esse blog há mais tempo, e ele tem a mesma função pra mim. E é mais útil, porque aqui eu não libero só raiva, mas ajudo as pessoas a refletirem no próprio meio que estão, uma vez que a maioria se identifica. Apesar disso, é sobre elas que vai se direcionar o post de hoje: pessoas. E quem me conhece, sabe que todos os meus posts tem um nível de filosofia.
 Não sei se tem muito a ver com nossa natureza desde que nascemos, ou se desenvolvemos isso enquanto crescemos: Egoísmo. Todas as nossas atitudes são baseadas nisso. Nós sempre corremos atrás de coisas absurdas, e concordamos com coisas absurdas, pela esperança de no fim, haver uma compensação, um benefício, algo que queremos ou precisamos. Inegavelmente, isso é uma amostra de egoísmo. Mas eu penso mais longe.
 Digo que realmente, todas as nossas ações e reações são baseadas em vontade de benefício. Quando perdemos uma pessoa, seja a morte ou separação por qualquer outro motivo, e essa pessoa era significante, dói muito. Mas afinal, por que dói? Dói porque aquele espaço que a pessoa preenchia dentro da gente, vai ficar em branco, vai ser um espaço que vai ficar vazio, e ninguém vai poder preenchê-lo. No fim, não choramos pela pessoa que vai, mas por nós mesmos.
 E quando temos um problema e precisamos resolvê-lo, temos amigos que nos ajudarão para que seja compensado em mais amizade. Quando um desconhecido tem problemas, não vamos ajudá-lo, pois simplesmente não nos importamos. Não culpo a ninguém por isso, pois me incluo.
 Hoje em dia, tentamos ser mais humanos quanto possível. Mas esquecemos que a humanidade não é feita de emoções, mas de instinto.
  E tenho dito,
  Lipe.

PS: O título é subjetivo. Só uma pessoa sabe o porquê dele.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Fábrica de Horrores

   Sabemos que a humanidade, desde o começo, não passa de uma classificação para um bando animais, e a sociedade a qual pertencemos é um zoológico disfarçado. No fundo, sabemos que nosso instinto é o que governa nossas ações, e a razão de nossas reações.
   Hoje em dia nos comportamos como superiores por termos o dom da consciência. Na verdade, tal dádiva não passa de uma maldição. Ela nos interrompe em momentos de medo extremo, junto com o instinto, nos impedindo de seguir em frente e evoluir. Mas afinal, se somos um bando de animais, nossa única missão nessa terra é sobreviver e multiplicar.
   E nessa de multiplicar, a beleza é muito mais fundamental que qualquer outro aspecto psicológico ou sentimental, é um fator físico hiper influente. Faz parte do que nos somos escolher o melhor, e o melhor é o que nos é imposto pela sociedade, por sermos seres sociais. Não há beleza relativa, e a perfeição é pré-definida, enquanto nascemos e crescemos em meio a esse conceito.
  E viramos seres frustrados por muitas vezes não nos encaixarmos nos padrões sociais necessários para obtermos o título de perfeição, ou por não conseguirmos alguém que possa ser assim.
   Então, a sociedade descobriu na medicina a arte da cirurgia plástica, e foi a partir daí que se tornou uma fábrica de Barbies inexpressivas e Kens sorridentes, e todo tipo de idealização estética.
   Concluímos em meio a isso tudo que os padrões são necessários para haver uma sociedade de incluídos e excluídos, de privilegiados. Imperfeições não são aceitas na sociedade superficialmente idealizada, e isso é um fato comprovado, seja ele aceito ou não. Contudo, o que nos faz gostar de uma pessoa pode não ser um fator físico, mas a massa está longe de ver tal conceito, considerando a alienação à qual ela se encontra.

E tenho dito,
  Lipe.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Kaliban

 Depois de levantar a cabeça do travesseiro sem um pingo que seja de saudade de seja lá quem for, eu me questiono se minha natureza é ser fria. E minha resposta racional é não. Portanto, é bem provável que sim, que nosso instinto como defesa seja não sentir mais nada depois de tanto sentimentalismo. E nos esconder nossa própria natureza.
  Nossa racionalidade, aquele conjunto de valores que vamos ganhando enquanto crescemos, inclusive o conceito de certo e errado. É esse o problema. Somos programados para perder nossa verdadeira natureza, algo que ganhamos que vem antes da primeira coisa que ouvimos quando nascemos, ou o que vemos na primeira vez que abrimos os olhos. Vem antes de toda essa exterioridade. Algo que morremos sem conhecer, ou talvez só conheçamos antes de morrer.
  O que eu tomo por espiritualidade explica que quando nascemos, trazemos cargas e lições a aprender e ensinar. Mas cá entre nós, não é disso que eu digo, é muito menos complexo, talvez nem devamos levar para um lado não-racional.
 No sentido mais brutal, eu digo que somos verdadeiros animais, selvagens e floridos. Selvagens por ainda competirmos para sobreviver, ter prestígio ou aquela mulher gostosa que você viu na faculdade. Afinal, que mal há em conquistar algo tão cobiçado? Nada, muito pelo contrário, não condeno minha própria natureza. Mas quero chegar a pessoas que se acomodaram a olhar a briga e ganhar o prestígio sobre as cabeças dos prejudicados. Afinal, é pra isso que eu quero uma boa formação.
  Está correndo em nossas veias todo esse instinto de sobrevivência, tanto que somos mais bárbaros que até o animal mais irracional do planeta. Isso se não formos nós os tais animais. 
  Somos floridos porque conseguimos inventar uma maneira mais civilizada de exercer esse joguinho. Veja só, conseguimos empresas exploradoras, suicidas, hipócritas, poetas entediados com a vida e todos os seus Kalibans e Ariels. Claro, também não podemos nos esquecer das emissoras alienadoras. Qual era mesmo o nome daquela garotinha que foi jogada da janela do apartamento, fato que tanto nos chocou e revoltou? Esquece, a moda da vez é torcer para o Dourado ganhar o BBB 10.
  A indústria nos envolve, não podemos viver sem ela. Estou escrevendo o rascunho dessa postagem em uma folha de caderno que eu comprei na papelaria, vestido com o jeans que eu comprei na loja de roupa, a camiseta da escola que eu tive que comprar. Paguei para ser uma propaganda viva. Por que? Porque é fácil comprar.
  Qual era mesmo o nome da garotinha jogada na janela do apartamento, fato que tanto nos chocou e revoltou?
Eu que desenhei rs

sábado, 6 de março de 2010

Ciclo

  Acordar, abrir os olhos, imaginar o que está por vir, levantar, calçar os chinelos, escovar os dentes, tomar banho, se barbear.
  Vestir-se, beijar a esposa, preparar o próprio café, ler as desgraças no jornal, ouvir reclamação sobre a pia da cozinha, perder a paciência, ver a bagunça do quarto do filho, entrar no carro, levar a esposa para o curso de bordado, o filho à escola, ir para o trabalho.
  Entrar no escritório, somar contas e mais contas, ouvir reclamação do chefe, somar contas e mais contas.
  Sair para o almoço, comer o que dá tempo e dinheiro para comer, ouvir fofoca dos funcionários sobre os funcionários, pagar o almoço.
  Voltar para o escritório, somar contas e mais contas, ouvir mais reclamação do chefe, reparar na nova estagiária na tentativa desesperada de sair da maldita rotina. Rezar para chegar 18:00.
  Entrar no carro, buscar o filho, ir para casa, ouvir o dia da esposa, as reclamações previsíveis.
  Tomar banho, jantar, assistir tragédias e mais tragédias no noticiário, e depois aquele reality show cuja vida dos participantes é mais interessante. Levantar do sofá frustrado, tomar banho, escovar is dentes e ir para a cama.
  Ouvir mais reclamações da esposa, adormecer com o eco de sua voz na cabeça.
 Acordar, abrir os olhos...

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Despedidas


  Tive que dizer adeus mais vezes que gostaria. Mas todo mundo pode dizer isso. E não importa quantas vezes façamos isso, mesmo quando é uma força maior, sempre é ruim. E mesmo que nunca esqueçamos do que estamos abrindo mão, devemos a nós mesmos seguir em frente. O que não podemos fazer é viver nossas vidas com medo do depois do adeus. Porque as oportunidades não vão parar. O truque é reconhecer quando o adeus é uma coisa boa. Quando é uma chance de um recomeço.

  E tenho dito,
      Lipe.

P.S.: ao Fabio, que teve que dizer adeus às duas pessoas mais importantes na vida de qualquer pessoa.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Selvagens

 Eu acabei de sair do cinema. Acabei de ver um filme que pode nos mostrar futuramente. Cheio de selvagens. Pessoas que não sabiam o que estavam fazendo. Que simplesmente acreditam em si mesmos, e que podem estraçalhar tudo que veem pela frente, se isso for interessante.


 Creio que a maioria que viu o filme, ou tenha um raciocinio compativel ao meu, esteja pensando que os selvagens dos quais eu estou falando não são os nativos, mas sim os extraterrestres.

 O nome do planeta é Pandora. É habitado por uma raça azul, de aproximadamente 3 metros de altura, com modo de pensar, sentimentos, crenças e valores. Posso dizer que valorizo mais os valores deles do que os nossos.
 É uma raça que vê a selva, o lugar em que eles vivem, com amor, com respeito, enxergando uma rede, que liga a tudo e a todos, que nos empresta energia e pega de volta quando chega a hora. É exatamente tudo que nos cerca. Pertencente a uma energia muito poderosa. Uma divindade, a Grande Mãe, já naquela época não mais existente na Terra. Simplesmente porque a natureza foi devastada na Terra.
 O filme começa aos olhos de um soldado que acorda depois de 6 anos durmindo numa câmara de conservação, dentro de uma nave, que vai mandá-lo pro tal planeta, chamado Pandora. Lá dentro, o exército não passa de um bando de mercenários, que vão fazer o trabalho sujo por um mineral que deve ser extraído pra gerar energia na Terra.
 O soldado, por intermédio de um híbrido criado a partir do DNA de humanos e dos Na'vi (os nativos), acaba conhecendo e se apaixonando por uma Na'vi. Com ela, ele aprende seus costumes, sua lingua, e a respeitar tudo que vem da natureza. Eles sabem que eles vem dela, e que se ela acabar, eles também acabam.
 É incrível como a gente é insano. Como a gente é inteligente e insano. É incrível o que a gente faz por um simples pedaço de qualquer coisa, seja por papel ou seja por metal, seja uma cédula ou uma moeda, seja lá quais forem os nossos valores, nós os perdemos totalmente por coisas tão pequenas. Nós tiramos vida, por uma coisa tão pequena.
O pedacinho insignificante de Pandora.

 Não tem como eu falar completamente o que eu sinto sobre esse filme. Eu senti a agonia deles, o desespero, eu senti a alegria, eu senti a fé, eu senti o filme.

 E tenho dito,

 Lipe.

  P.S.: O único filme que me fez chorar. Quatro vezes.

 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Tempo

Diz-se que o tempo pára quando a gente aproveita. Por isso tudo o que é bom dura pouco. A gente simplesmente não passou.
Diz-se que o tempo é relativo, portanto ele só passa pra quem quer vê-lo passar. Antes fosse...
Diz-se que o tempo mata, mas eu discordo. O tempo passa. Nós é que morremos.
Diz-se que o tempo nada mais é do que uma fantasia que criamos. Pode ser.
Diz-se que o tempo só foi criado pra sermos mais organizados. Bem, então ele nos foi util e inutil ao mesmo tempo.
 Útil pois podemos marcar compromissos, cronometrar processos, limitar alguma coisa.
 Inútil, pois ele cria a impressão (ou ilusão) de que estamos velhos, inúteis, enrugados, acabados, ultrapassados.
 O tempo não nos faz viver o momento, não nos faz rever o passado, nem presente, nem futuro. O tempo não nos cria, o tempo não nos alimenta, não nos faz andar. O tempo é realmente uma ilusão. Ele não nos envolve, ele não nos cerca. Ele não está dentro da gente. Nós não somos ninguém para controlá-lo.
 Mas houve uma era em que ele não existia. Simplesmente não existia. Talvez o sol nascia, se punha, e o mesmo com a lua, e sempre era o mesmo dia.

 Belos tempos aqueles, imagino eu. Belos como uma praia limpa, ou um vento suave, que balança os cabelos da garota que nos faz sonhar.

P.S.: É aqui que eu termino.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O outro lado da vitrina

  Como o tempo passa rápido.
  Faz mais de mês que saí de casa. Não sei mais como é que tão os irmãos, a mãe, o cara lá. Tanto faz, praquele lugar eu não volto de jeito nenhum.
  A gente já tá quase no Natal. Ninguém nunca me disse o que é o Natal mesmo, eu nunca soube o porquê de tanta festa. Uma vez me deram uma bíblia pra ler, mas eu nunca aprendi a ler.
  Eu acho que o Natal é pra ganhar presente. A cidade fica com as lojas cheias de brinquedo. Uma vez eu vi numa casa, da janela, umas duas crianças ganhando presente. O menino ganhou um carrinho, a menina ganhou um urso de pelúcia.
  Uma vez eu ganhei um presente, perto do Natal, de um moço muito bonzinho. Ele disse que Isabella significa "prometida de Deus". Eu sou uma prometida de Deus.
  Eu levo o ursinho pra onde eu vou. Ele é o meu melhor amigo, porque ele anda comigo e não me bate nem me machuca, e não vai me abandonar.
  Olha lá. Acabaram de abrir a vitrina da loja. Olha quanto brinquedo. Tem ursinho igual o meu amigo.
  Quer saber? Eu posso entrar na loja, pegar qualquer brinquedo que quiser e sair correndo. É só querer.
  Ah mas sei lá. Eu não quero isso pra mim. Eu queria uma escola, eu queria ser limpa, poder ter um trabalho. Mas nunca pude ter escola. Minha mãe me colocava pra trabalhar o dia todo em casa.
  Olha lá, entrou um moço na loja. Tá falando que quer comprar um boneco de super-herói pro filho dele. Eu queria ter um pai assim, que se importasse com o que o filho quer. Mas nem pai em casa eu tinha.
  Tô começando a ficar com mais fome. Acho que vou ter que esmolar de novo, conseguir algum dinheiro pra comprar algum pão, ou alguma coisa pra me esquentar...
  Como o tempo passa rápido.

 E tenho dito,
 Lipe.

P.S.: O texto é uma redação que eu fiz.

  Ao meu amigo, que não vai me machucar.
  Por incrível que pareça.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Carta de um contratado

Eu queria escrever-te uma carta
amor
uma carta que dissesse
deste anseio
de te ver
deste receio de te perder
deste mais que bem querer que sinto
desde mal indefinido que me persegue
desta saudade a que vivo todo entregue...

Eu queria escrever-te uma carta
amor
uma carta de confidências íntimas
uma carta de lembranças de ti
de ti
dos teus lábios vermelhos como tacula
dos teus cabelos negros como dilôa
dos teus olhos doces como macongue
dos teus seios duros como maboque
do teu andar de onça
e dos teus carinhos
que maiores não encontrei por aí...

Eu queria escrever-te uma carta
amor
que recordasse nossos dias na capôpa
nossas noites perdidas no capim
que recordasse a sombra que nos caía nos jambos
o luar que se coava das palmeiras sem fim
que recordasse a loucura
da nossa paixão
e a amargura da nossa separação...

Eu queria escrever-te uma carta
amor
que a não lesses sem suspirar
que a escondesses de papai Bombo
que a sonegasses a mamãe Kieza
que a relesses sem a frieza
do esquecimento
uma carta que em todo Kilombo
outra a ela não tivesse merecimento...

Eu queria escrever-te uma carta
amor
uma carta que te levasse o vento que passa
uma carta que os cajus e cafeeiros
que as hienas e palancas
que os jacarés e bagres
pudessem entender
para que se o vento a perdesse no caminho
os bichos e plantas
compadecidos de nosso pungente sofrer
de canto em canto
de lamento em lamento
de farfalhar em farfalhar
te levasse puras e quentes
as palavras ardentes
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor...

Eu queria escrever-te uma carta...
Mas ah meu amor, eu não sei compreender
por que é, por que é, por que é, meu bem
que tu não sabes ler
e eu - Oh! Desespero - não sei escrever também!
 (Antônio Jacinto (1924-1991), escritor angolano)

Maboque: fruto do tamanho e da cor da laranja e de casca dura
Pungente:  comovente, aguda
Tacula: árvore nativa da Angola, de madeira vermelha.

E tenho dito,
  Lipe.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Post Brisa

 Sempre temos prazeres na vida que não nos fazem refletir sobre o que somos e por que. Ou pra que.
 Temos mais que orgulho de nossas vidas se somos bem sucedidos, mas não sabemos o que fazer com todo o esforço que nos resta completar. Somos mais que simples peças de quebra-cabeças. Nós somos mais do que simples pessoas.
 Acho que o clima da Praia Grande me deixou meio brisado, mas me faz sentir bem. Fora da praia, porque dentro dela é puro petróleo. A minha sorte é que eu tenho um amigo em Santos.

P.S.: Temos mais do que destinos. Temos o dom da dúvida.
P.P.S.: Felipe significa aquele que gosta de cavalos.

                                                   À pucca.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Êta, Baixada

 Gente, to postando na maior rapidez pq a gente ja ta indo embora.
Como a isa me abandonô com as crianças aqui em casa, e minha mãe me convidou pra Long Beach, deixo vocês com uma foto de uma galere super legal, meus amigos, companheiros, irmãos de verdade.


À Demolay.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Dor

  Acho que sei o porque de as pessoas que colocam um piercing, ou alargam a orelha, ou fazem uma tatuagem, viciam nisso. Deve ser um estímulo. Elas se furam. Sentem dor.
  Não acho que dor seja uma coisa que deva ser evitada. Muito pelo contrário, ela deve ser aceita como uma coisa normal. Nós aprendemos muito com ela, pois sabemos que se fizermos algo errado de novo, vai doer.      Podemos dizer que nos programamos a partir dessa reação natural. Mais do que uma coisa ruim, ou algo que faça nos sentir mal, a dor é, acima de tudo, humana.
  Eu já alarguei a orelha. As duas. Aí coloquei um piercing. No septo.
  As pessoas me perguntam o que me dá na cabeça para furar o nariz. Bom, eu não sei. Talvez a vontade de me destacar, ou mesmo um impulso inconsciente, para sentir dor. Como eu disse pra má, uma vez, a dor nos faz sentir vivos. Com a perfuração, o coração acelera, o sangue corre mais rápido, o corpo fica mais tenso, e depois vem o alívio. Os hormônios são liberados, nosso corpo fica calmo, e aí, com toda essa interação simultânea, sentindo nosso corpo trabalhando ao máximo, vemos que estamos vivos. Nosso coração ainda bate, nosso sangue ainda corre, nós ainda respiramos, nós ainda estamos vivos.
  Eu sei, é compulsivo, é estranho. Mas parem um pouco para pensar no que tem nos movendo e nos fazendo viver e aprender até agora. São as nossas dores. Elas são sempre importantes para nós, humanos. Nos fazem refletir, pensar e recomeçar da forma certa.
  São poucas as coisas que não nos fazem sentir dor. Um cheiro, um gosto, uma pessoa, poucas lembranças.
  Poucas coisas não me fazem sentir dor. Cheiro de incenso, gosto de chocolate, a isa, a lembrança da minha antiga escola. E de como eu era feliz.

E tenho dito,

Lipe.

P.S.: Nada de se cortar.




Sim, sou eu.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Infância

 Mais que só uma fase, é o que nos dá marcas importantes para levarmos por resto da vida. O sonho, a utopia, a esperança em coisas impossíveis. E que acontecem.
 É mais difícil de entender do que as coisas que são complexas, porque é simples. E os adultos costumam não entender muito bem o que é simples, de tanto resolverem os problemas impossíveis que precisam resolver. É assim que se vive, é assim que se passa a vida, até o resto dela.
 Mas não culpo a ninguém por isso. Os problemas só crescem, conforme vamos crescendo também. Mas é chato, não é o que importa. Fazer com que o máximo de nossos esforços valham um arroz, feijão e uma mistura. Não vejo muito interesse nisso. A vida não pode ser feita disso. Se for, se torna tão insignificante... Nascer, crescer, trabalhar, ficar velho e morrer. Tem que viver, viver e viver.
 Eu tenho tantas saudades da minha infância... acordava às 5 da manhã para assistir Barney, depois Bananas de Pijama, depois ia para a escola (pintar desenhos), aí ia para a casa acompanhado de minha mãe, e brincava o resto do dia. Não haviam problemas, não havia com o que se preocupar. Nada, nada.
 Por isso, a infância não é uma coisa que deve ser esquecida, por ser uma época de alegrias demais, besteiras demais, esperanças e sonhos e utopias e fantasias e contos e brincadeiras demais. É uma coisa que deve ser levada para a vida toda, por haver alegrias demais, e problema algum. É o que nos faz sentir vivos, mais do que tudo.
 E tenho dito,
 Lipe.

P.S.: Caso sintam um clima meio triste, não se preocupem. A isa vai me abandonar com as crianças e cair no mundo em Parati rs


À minha saudosa infância, por ora relembrada.



Para quem tem saudades dos Bananas de Pijama.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Aniversários

 NÃÃO, não é meu aniversário. Mas achei um assunto feliz, alegre, contente, 100% vida e resolvi falar sobre ele.
 Esse ano foi especial pra mim, nunca tive um aniversário como esse. Especialmente por comemorarem ele em uma semana toda. É, rapazeada, eles conseguiram.
 Fora o presente que eu ganhei quase um mês antes: um Gloomy azul. Da cris, que não aguentava ficar com ele em casa.
 Na verdade, todos os presentes foram especiais para mim, sejam eles quais fossem. Vindos de uma pessoa especial, é uma coisa que você vai olhar e lembrar de quem te deu. Não deixa de ser uma lembrança, seja lá qual for o presente.
 Eu acho assim, e faço assim. Fico feliz a cada momento que lembro do meu aniversário. Mesmo a calcinha que me deram.e um bichinho azul que eu usava de ioiô, batendo em todo mundo. E uma caixa de batata, que eu ganhei da gemezess (era uma dobradura com outras dobraduras dentro, e uma ficha de pump), e tenho no meu guarda-roupas até hoje. E em especial a primeira edição do D-Gray Man e um chibi do Allen que eu ganhei da Isa. E os scraps que eu recebi, e os depoimentos de pessoas especiais, como a pucca e o Henrique.
 Acabei de lembrar também da festinha de aniversário escondida fail que minha familia fez pra mim... Eu no quarto, mexendo no orkut, fui tomar uma agua e encontro a madrasta tentando acender a velinha, surpresa comigo e gritando FELIZ ANIVERSÁRIO toda enrolada rs... E do dia 13 de outubro (o dia oficial), que eu passei com a minha mãe, fazendo o melhor bolo de chocolate do mundo pra comemorar comigo no meu dia. E como sempre, quase que levo o bolo todo pra casa. No meu estômago.
 Enfim, desse ano eu não tive do que reclamar. Não foi um dia especial, foi UMA SEMANA INTEIRA especial, com amigos se lembrando (nem que fosse pelo orkut), falando comigo, me bombardeando de parabéns e etc... Gostaria que todos os anos fossem assim, sério.
 Não tenho o que falar de amigos, só que são as melhores pessoas que eu ja conheci. Pucca, Bunny, Henrique, Gemezess, Larissa, Má, Japa, Mi, Carol, Bianca, a Isa (que não chega a ser amiga, mas enfim), e toodos que tornaram a minha semana especial. Eu desejaria o que tive até para as pessoas ruins, porque isso sim transformaria a opinião de qualquer um. E não desejo que nada mude. Por mim, seria assim por anos e anos, sem tirar nem por.


E tenho dito,


Lipe.


P.S.: Todo dia é dia de alguém. Comemore sempre que puder.




 
Para os curiosos que querem ver minha reação com a calcinha rs

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Outros

 Tem coisas que só se pode fazer em dupla, né gente? Conversar, desabafar, namorar, fazer dueto no ragnarok (né kebis)... rs
 E pra tudo isso você sabe que pode fazer com as melhores pessoas do mundo, assim como pode fazer com as piores pessoas do mundo.
 Há várias culturas que abordam os casais de formas diferentes, mas com conceitos super iguais. Há quem diga que nascemos incompletos, e precisamos de outra pessoa para nos completar, um equilíbrio. Há quem diga que temos uma asa só, e juntos podemos voar bem alto. Uma vez eu li um trecho bem interessante, que dizia assim: "Os amigos são um pretexto para pegar um pouco da felicidade do outro". Achei incompleto. Não são só as felicidades que se pegam, mas também se compartilham as tristezas. E a magia de ter um outro com quem contar é nos fazer perceber o outro lado da moeda, um outro ponto de vista. E isso sim nos completa. É o que nos faz feliz.
 Cabe dizer aqui que não se servem só para nos fazer felizes, mas para nos fazer enxergar. Enxergar o que estamos fazendo, enxergar o que há ao nosso redor, enxergar os nossos erros, enxergar. E consertar, e melhorar, e não repetir o erro.
 Sou feliz por isso. Tenho muitos "outros" na minha vida. Cada um ocupando um lugar dentro de mim, me fazendo ver cada vez mais. Sou feliz por isso, é.
 Mas também cabe dizer que também somos "outros", fazemos parte disso, e devemos fazer nosso papel. Seja como amigo, seja como irmão, namorado ou o carinha que trombou com aquele cara desesperado no meio da sé.
 Agradeço por cada outro que tenho na minha vida. Eles me fazem melhorar, e ser uma melhor pessoa também.

E tenho dito,

Lipe.

P.S.: Veja quantos outros você tem em sua vida. E be happy.


à Gemezess, dentre tantos outros.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Primeiro Post :')

Meu blog vai ser diferente. Nada de garotos/marmanjos deprimidos por garotas que não podem ter. Nada desses sentimentalismozinhos comprados em quilo na feira da esquina. Nada de letras de músicas para escritores com falta de criatividade. E NADA DE CINE! \o
Não quero besteiras, não quero bobeiras, não quero o lixo que vem da margem da alma. Tem que ser mais profundo, ter um fundo de verdade. Não preciso de músicas pra me inspirar, embora elas ajudam bastante. O que move meus dedos nesse teclado é o meu espírito. Aquilo que tenho desde pequeno. Bem, não sou um garoto triste, não tenho quem quero longe de mim, e não tenho ipod pra me consolar. Mas tenho gravado em mim uma frase que hoje mesmo eu disse pra uma garota por quem prezo a maior felicidade que posso oferecer: "Todos precisam aprender".
E tenho dito, Lipe.
P.S.: Procurem o que mais importa a vocês. Todos têm um ponto de vista diferente.